quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sobre o que fiz sem você


Ninguém nunca me entendeu. Desconfiei que ninguém entenderia mesmo. Prossegui. Mas confesso que foi muito mais difícil prosseguir sem você. Doeu. Chorei insanamente por noites seguidas sem sono. Chorei até me esvaziar. Chorei até não te ver mais no espelho. Chorei até começar a derreter de uma velha pessoa e construir um novo eu.

Suspirei. Suspirei na sala, no quarto, na cozinha, no banheiro e durantes os filmes melosos de domingo à noite. Suspirei na rua. Na praça que a gente sempre ia. No cidade vizinha que você adorava passear. Sobrevivi. Por mim. De você. Renasci em cima de um sofrimento que doeu. Me desfiz de velhos hábitos, antigas palavras e construí um novo caminho.

Você deixou marcas. Gosto de lembrar daquela cicatriz que deixou no meu braço quando o copo de vidro caiu da sua mão e esbarrou em mim. Gosto da cicatriz que deixou do lado do meu coração. Gosto do gosto de mel que deixou na minha boca. Gosto do fato de ter me deixado para traz. Gosto de ter gostado de você.

Não foi fácil. Eu disse. Não foi. Ardeu enquanto coube ardor. Chorei enquanto coube lágrimas. Vaguei pelas ruas enquanto consegui te encontrar. Nunca te encontrei. Nem na porta da sua casa, nem naquela praça, nem no cinema. Nem me importava te encontrar com outra pessoa. Nem me importava olhar nos seus olhos e não ter uma resposta sequer. Doeu não te ver nunca.


Estranhei cada passo sem você. Mas superei. Simplesmente te deixei. Superei.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não há de ser nada


Não há de ser nada não. Não há de ter mais nada aqui. Nem amor, nem compaixão. Essa vontade grande de te abraçar também há de ser só um desprezível devaneio. Devaneio esse que você aprendeu a lidar. E isso já tem um certo tempo. E aprendeu a ignorar. E a amar em silêncio. 

Meu amor, não há de ser nada. 

Essa saudade fora do normal que você sente de mim. Essa vontade louca de me puxar pelo braço de novo. Esse nervosismo por saber que sei dos seus segredos. Essa olhadinha meio de lado, meio séria, meio confusa, meio linda. Tudo isso, amor, não há de ser nada. 

E eu também sei que já não sou mais nada. Me tornei mais um de seus segredos e pronto. Você finge que me esquece, eu fingo que consigo seguir sem você e a gente deixa assim mesmo. Perto dos olhos. Longe do coração. A gente sabe que foi muito um para o outro, mas a gente também já não é mais nada para ninguém aqui. 

Eu sei que você sabe. Te dobrei, enrolei, maltratei, ignorei. Mas terminei sendo enganada. Tentei te julgar inocente, mas nem sequer fui madura para sair desse jogo de prazer sem deixar rastros ou lembranças. Seus olhos estão vazios, mas sei que ficou em mim. E esse sentimento louco que sobrou não há de ser nada não, amor. 

Não há de ser. Não há de caber. Não existe mais espaço para poder ser. 

sábado, 15 de março de 2014

Meu passado e seu fantasma que não me assombra


Apesar de triste e confusa, eu me sinto relativamente bem. Pensar em você ainda me alimenta e só eu sei o quão difícil foi escolher não prosseguir, porque o único jeito de encontrar com você era dar passos para trás. Todo mundo me julgou por isso. Até meu atual namorado. Futuro ex, sabe.

Soube que você está bem. Que encontrou outra pessoa e que rasgou minha foto 3x4. Inclusive sei que doou aquela minha blusa de lã para a campanha do agasalho. Fez bem, confesso. Aquecer alguém no inverno sempre te deixou com a consciência mais leve, mas acredito que esse ano tenha sido um tanto mais doloroso porque você sabe que eu continuei passando frio.

Meu coração gelou, meu bem. E eu arrepio toda noite quando sonho com você. Cansei daqueles sonhos embaraçosos onde você sempre vem me buscar. Atualmente, durmo embriagada. Suficientemente cansada para não me preocupar com você me visitando durante a noite. Eu voltei a fumar também. E aquela sua blusa azul, que você tanto gosta, fede ao cigarro que você tanto odeia. Foi a forma mais terrível que encontrei para te atingir. E nem te atingiu. Mas eu não sei fazer mais que isso.

Rasguei fotos, joguei fora alguns textos e tentei não escrever sobre você. Tentei não encontrar com você por aí e começou a dar certo, mas encontrar comigo mesma é encontrar com você também. Me pergunto quantas vezes Deus não te impediu de cruzar o meu caminho, fazendo com que você frequentasse somente a minha alma. Você pode ter atravessado aquela avenida pouco antes de mim. Enquanto você estava na fila do supermercado, eu estava lá nos fundos escolhendo o que comer naquela noite. Fico feliz porque isso aconteceu. Não aguentaria cruzar com ela também. E sei que vocês não se desgrudam mais.

Outro dia sonhei que te parabenizava pelo casamento. Acordei em paz, mesmo não sendo a noiva. Seu fantasma me acalma, caso não saiba. Amadureci muito mais com sua perda do que com a sua presença. E me sinto bem por isso, apesar de confusa. E eu ainda gosto de encontrar com você por aí. Por aqui. Mesmo que os espaços se limitem à minha mente.

Ainda uso os esmaltes que gosta. Ainda tenho aquele travesseiro mais alto que te livrava da dor chata no pescoço. Ainda alimento a alma de pequenas doses diárias de você e tenho medo de que meu estoque esteja chegando ao fim. Seus rastros me dão forçar para prosseguir e vira-e-mexe eu faço uma visita ao passado como forma de me alimentar. Mas, sabe, algumas lembranças estão sendo apagadas da minha mente. E eu não sei mais o que fazer para te manter vivo aqui.

As lembranças doem, mas saber que elas um dia chegaram ao fim consegue ser ainda mais doloroso. Saber que vou acordar e não restará mais sentimento algum me faz ter pesadelos durante a noite. E eu ainda acredito que voltará por mais uns dias, só para me abastecer um pouco mais das suas energias e descongelar meu coração. Mesmo que essas visitas sejam só durante à noite.
Seu lugar na cama ainda está guardado. Deita aqui.
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Para todo mundo que perguntou o que aconteceu: falta de tempo, vontade e inspiração me deixaram sem escrever por muito tempo. Mas eu voltei, porque o Intimidade Efêmera faz parte de mim. Muitas novidades vem por aí, mas por enquanto é só eu escrevendo novamente sobre meus devaneios. Sejam bem vindos, de novo. 

sábado, 2 de novembro de 2013

Solte-se


Solte-se de nós. Não se prenda. Não me agarre. Respira e me deixe respirar. Não espere minha volta, não deseje que eu olhe para trás. Não espere que eu sorria e nem seja capaz de sorrir quando eu voltar. Desfaça o laço. Esqueça meu abraço. Aceite minha luta, minha ida, minha paz sufocada. Entenda que seus dedos não encaixam mais no meu. Que sua boca não combina mais com a minha e que não é bom que eu desfile com você por aí. Não mais. Nunca mais. Largue me braço, mas me implore para ficar. Seja sutil com as palavras, mas não ouse me convencer. Só se arraste um pouco mais. Só me solte e me deixe ir. Até que eu volte. E te solte.