quarta-feira, 23 de abril de 2014

Senta aqui

Senta aqui. Só por hoje, escute tudo que eu tenho para te dizer. Só por hoje, permita que eu derrame toda a minha raiva e te culpe por tudo que vivo. Senta aqui. E perceba o quanto meu olhos ainda enchem de lágrimas toda vez que falo sobre você. Desconfie do sofrimento que foi capaz de causar e das marcas que você deixou. Só por hoje.

Eu sempre tive muito pra te dizer. Sempre torci para te encontrar e sempre tive raiva o suficiente para despejar toda e qualquer palavra em cima de você. Mas o problema é que eu sempre te encontrei. E você deveria se perguntar por que diabos eu sempre estava chorando. Ou sorrindo. Ou com medo. Ou em paz.

Pode não parecer, mas de tudo que você me devolveu quando foi embora, a paz consegue ser maior que qualquer coisa. Uma paz tão grande, tão grande, tão grande, que eu me esqueci completamente de voltar pra dizer que te odeio. Te odeio hoje. Te odeio amanhã.Te odeio tanto que sempre torci para você não cruzar o meu caminho de novo. Te odeio só por odiar. Te odeio só por não te querer por perto, por não te querer longe, por não te querer nesse mundo.

Senta aqui. E veja cada milímetro do meu corpo arder de raiva toda vez que eu olhar em seus olhos. Perceba o quanto estou equivocada e me desvende como antes. Se você bem entende ainda, saberá que todo ódio só pode ser amor. E que escrevo assim porque te odeio o suficiente para dizer “volta e senta aqui”. E vê se dessa vez não sai nunca mais. 

domingo, 20 de abril de 2014

Sorri


Sorri na janela. Sorri perto de você. Sozinha na cama. Ao seu lado na sala de estar. Por aí. Sorri enquanto pude. Espalhei só risos e fui me ganhando pouco a pouco. Até que te ganhei também. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sobre o que fiz sem você


Ninguém nunca me entendeu. Desconfiei que ninguém entenderia mesmo. Prossegui. Mas confesso que foi muito mais difícil prosseguir sem você. Doeu. Chorei insanamente por noites seguidas sem sono. Chorei até me esvaziar. Chorei até não te ver mais no espelho. Chorei até começar a derreter de uma velha pessoa e construir um novo eu.

Suspirei. Suspirei na sala, no quarto, na cozinha, no banheiro e durantes os filmes melosos de domingo à noite. Suspirei na rua. Na praça que a gente sempre ia. No cidade vizinha que você adorava passear. Sobrevivi. Por mim. De você. Renasci em cima de um sofrimento que doeu. Me desfiz de velhos hábitos, antigas palavras e construí um novo caminho.

Você deixou marcas. Gosto de lembrar daquela cicatriz que deixou no meu braço quando o copo de vidro caiu da sua mão e esbarrou em mim. Gosto da cicatriz que deixou do lado do meu coração. Gosto do gosto de mel que deixou na minha boca. Gosto do fato de ter me deixado para traz. Gosto de ter gostado de você.

Não foi fácil. Eu disse. Não foi. Ardeu enquanto coube ardor. Chorei enquanto coube lágrimas. Vaguei pelas ruas enquanto consegui te encontrar. Nunca te encontrei. Nem na porta da sua casa, nem naquela praça, nem no cinema. Nem me importava te encontrar com outra pessoa. Nem me importava olhar nos seus olhos e não ter uma resposta sequer. Doeu não te ver nunca.


Estranhei cada passo sem você. Mas superei. Simplesmente te deixei. Superei.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não há de ser nada


Não há de ser nada não. Não há de ter mais nada aqui. Nem amor, nem compaixão. Essa vontade grande de te abraçar também há de ser só um desprezível devaneio. Devaneio esse que você aprendeu a lidar. E isso já tem um certo tempo. E aprendeu a ignorar. E a amar em silêncio. 

Meu amor, não há de ser nada. 

Essa saudade fora do normal que você sente de mim. Essa vontade louca de me puxar pelo braço de novo. Esse nervosismo por saber que sei dos seus segredos. Essa olhadinha meio de lado, meio séria, meio confusa, meio linda. Tudo isso, amor, não há de ser nada. 

E eu também sei que já não sou mais nada. Me tornei mais um de seus segredos e pronto. Você finge que me esquece, eu fingo que consigo seguir sem você e a gente deixa assim mesmo. Perto dos olhos. Longe do coração. A gente sabe que foi muito um para o outro, mas a gente também já não é mais nada para ninguém aqui. 

Eu sei que você sabe. Te dobrei, enrolei, maltratei, ignorei. Mas terminei sendo enganada. Tentei te julgar inocente, mas nem sequer fui madura para sair desse jogo de prazer sem deixar rastros ou lembranças. Seus olhos estão vazios, mas sei que ficou em mim. E esse sentimento louco que sobrou não há de ser nada não, amor. 

Não há de ser. Não há de caber. Não existe mais espaço para poder ser.