domingo, 31 de agosto de 2014

As cores que escolhi


Amarelo para os dias que faltarem ambição. E azul para quando faltar paz. Branco para que eu consiga ficar tranquila. E verde para toda vez que eu esquecer de respirar fundo. Rosa para quando não tiver sorriso e enfim, vermelho para os dias que eu deixar de transbordar amor. Marrom, preto e cinza entram para complementar o que faltar, porque não existe cor negativa. Quem faz o negativismo é você. 

E agora, entre soluços e sorrisos só me resta fechar os olhos e me acalmar. Agradecer pelo céu limpo que apareceu hoje. Ou pela oportunidade de clarear meu dia mesmo estando tudo cinza. Pela oportunidade de espalhar cor, amor. E bem menos dor. Sem rancor. A rima pode até ser pobre, mas funciona muito bem quando é de coração. O dia pode ser mesmo cinzento, mas o pincel aquarela está aqui. Para pintar e bordar o mundo com as cores que mandam a minha felicidade. Sem drama. Sem choro. Com mais amor e mais leveza também, por favor.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Desencana

     

Moça, desencana. Você é quem é por tudo que viveu antes de chegar até aqui. O outro também. Você tem suas histórias. Não se enfureça porque outra pessoa também tem.Quase todo mundo queria ter chegado antes de todo o resto do mundo acontecer na vida de quem a gente ama. Eu também, às vezes. Posso ser clichê? A hora certa é agora. E esses passados não deveriam responder dúvidas presentes. Você também viveu muitas histórias. E amém! 

Gente que tem passado tem história para contar, aprendizado para passar para a gente. Gente que tem passado, viveu. E você lá queria viver com alguém que não sabe nada sobre viver? E digo mais: é bom até agradecer. Graças aquela história que você odeia escutar, essa pessoa que você tanto gosta é o que é. Graças aquela outra pessoa que ficou para traz aos trancos e barrancos você também é o que é. E isso não é maravilhoso?

Moça, desencana. Não se apegue ao passado do outro. Vá fazer sua história, porque o presente agora é você.

sábado, 2 de agosto de 2014

Perseguição


Sonhei com você de novo. Lá estava você parado com seu carro em uma avenida qualquer, enquanto eu fingia que não te via e subia em direção a qualquer lugar. Nunca te enganei. Você me viu, deu oi e ainda pediu que eu ficasse. Tortura. Você sabe como acabar com meu coração. Eu fiquei no sonho, mas queria mesmo era ter ficado na vida real também. Do seu lado. No seu carro. Na sua vida. No seu coração.

Tempos depois, saí de casa para esquecer e nossa música tocou na minha loja favorita. Quis ir até a gerente e implorar para que ela desligasse o rádio, mas precisava ser forte. Me recompus e até cantei junto, se quer mesmo saber. Mais uma vez, desejei estar com você cantando aquele trechinho que só você sabe cantar e sempre me corrige. A gerente não desligou o som. 

E eu não desliguei você da minha cabeça. Horas depois, te encontro perdido na rua se perguntando onde é mesmo que você compra aquela pastinha que eu te dei da última vez. Queria fingir que não vi, mas respirei fundo e fui até à loja comprar o que você tanto queria. Aquele silêncio torturante no caminho era a única saída para não errar ou acabar falando demais. Errei em não ter saído da sua vida enquanto eu tinha tempo e disposição para isso. 

E quem nos vê assim, juntos e sorridentes, mal sabe que você nunca foi um homem de verdade pra mim e sempre quis que os próximos chegassem. Eles chegaram e você nunca foi. Muitos vão vir ainda e você não vai passar, eu sei. Não vai passar na minha casa, na minha rua e muito meno vai sair da minha cabeça. 

sábado, 26 de julho de 2014

Sobre o amor que você nunca mereceu


Passei e nem te disse nada. Não te chamei, como de costume. Não te liguei, não mandei mensagem, não gritei seu nome aos ventos. Sobrevivi mais um dia sem você. Comemorei dormir e não sonhar com seu rosto e nem ter vontade de acariciar essa sua pele macia e morena.

Passei e continuarei passando todos os dias até perceber que percorrer os mesmos caminhos que você percorre já não mexe mais o meu coração. Tentarei ignorar sua ligações e prometo não tentar entender porque só fui procurada de segunda a sexta. Posso fingir também não saber que não sou sua garota para os fins de semana. Tentarei me acostumar com o fato de ter me escondido no escuro. Dentro da sua casa. Debaixo do seu casaco. Não direi nada as pessoas que me perguntarem se ainda estamos juntos. Direi que nunca estivemos, apesar de você saber muito bem que sim. Prefiro deixar que a gente seja um casal perfeito na cabeça das pessoas, apenas. 

De tudo que vivemos, nunca entenderei porque sempre lutou contra nós. Porque me mantinha por perto todo o tempo, mas sempre me escondeu. E nunca permitiu que a gente fosse digno de um casal que sai a luz do dia para tomar sorvete. Prometo não tentar entender agora. Apenas entendo agora que nossos corações nunca formaram uma conta de mais. Nunca foram soma. E você sempre me dividiu em pedaços agindo assim. 

Por agora, desejo apenas que você cruze aquela avenida pouco antes de mim, porque simplesmente não quero ter o trabalho de te encontrar. Que esteja na prateleira de biscoitos, enquanto eu passo as minhas compras no caixa. E que não me ligue mais. E se por acaso, me ligar em um domingo a tarde me convidando para um "lance", deixarei chamando até você entender que não sou a garota que merece estar com você na claridade de um fim de semana. Sou agora apenas a garota que você não merece. Não mais.
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