Sempre vivi de imensidão e de intensidade entre um furacão e
outro. Convivi com o sóbrio, porém nunca gostei de telo por perto. Admirava o mistério
e como quem vai contra a correnteza, eu adorava estar sozinha. Se eu gosto de
solidão? Não. Gosto de estar só, mas sem necessariamente sentir a solidão plena.
Consegue entender a diferença?
Eu nunca entendi essa fobia que eu sentia toda vez que
cruzava certas portas. Nunca gostei de olhar pra trás, mas sempre fui obrigada
a fazê-lo. Nunca me senti insuficiente, mas vira-e-mexe eu ainda preciso de uma
força extra que eu nunca sei de onde tirar. E na pior das hipóteses, sempre
vem. Nunca entendi porque sempre me
agradou esse espírito de mudança e porque eu sempre gostei de viver entre
metamorfoses e conflitos internos.
Notoriamente, sempre gostei de dramas e sempre soube que terminaria
por escrevê-los em uma folha de papel. Uma dose de inspiração, meia dúzia de
pensamentos inacabados e um pouco de ordem ilusória. Não sou nada menos que isso.
A composição da alma baseia-se no quanto nossa imaginação pode percorrer. E a
minha, meu caro, vai além do que eu ainda não consigo ver. Eu sei.
Não sou o tipo de pessoa que questiona vontade, desejos ou
acasos. Sou do tipo que faz porque sabe que é assim que tem que ser feito e
porque sabe que tem liberdade suficiente para escolher entre ouvir a voz da
alma (porque essa voz do coração já virou clichê) e ouvir a voz da razão
(porque essa nunca me abandona, mesmo que eu a ignore). Porque misteriosamente eu ainda insisto.
Insisto no escuro, na luz, na solidão e no segredo que me cerca. Porque
insistir no vazio simplesmente não me interessa.
