É apertando que a gente encontra espaços. A gente aperta tanto que acaba colocando reticências onde deveria existir um ponto final. Mania tola! Reticências deixam a firmeza frouxa e a certeza balançada demais. E uma vez que aparecem, elas triplicam a história como donas da situação. Ao contrário do que se pensa, completar com vírgulas só piora.
Pontos finais em excesso em um mesmo enredo deixam arrependimentos jogados por aí. Migalhas da sensação de que poderia ter sido diferente. Resto da certeza de um erro, do "não quero mais, mas posso tentar de novo". Às vezes reticências provam o contrário. Provam que quando se aperta uma única vez para dar espaço a continuidade, elas insistem em não aparecer durante o resto da história, porque não é mais necessário.
Essas reticências deixam um gosto amargo, mas são logo disfarçadas com o doce das palavras emboladas que vem a seguir. Deixam fel na boca de quem procura mel. E deixam a incrível sensação de um talvez que nunca será cumprido. Afinal, o outro caminho ali estava, mas você preferiu andar em cima dos pontos e fingir que não poderia cair por entre os espaços. Preferiu escolher o "não consigo, mas posso tentar" do que de fato se arriscar colocando um ponto final e construir um novo parágrafo. Reticências vem de uma mistura de sorrisos e lágrimas e vez ou outra nos ensinam o que vale ou não à pena e em outros casos mostram quão errados estamos.
E ainda dá tempo! Sempre é hora de apagar os últimos dois pontos e encerrar a história sem a necessidade de vírgulas. É triste, mas é tão simples - ou complexo - quanto terminar textos. Sem mais e com um mero ponto final... ou não.
