Procura-se um amor que me chame de menina, que guarde minha primeira blusa de lã e que me case consigo. Alguém que entenderá quando eu disser que às vezes minto tentando ser metade do inteiro que eu sinto. Que subirá na pedra mais alta ecoando notas pra todo dia. Procura-se alguém que nos faça ser como feijão e arroz que só se encontram depois de abandonar a embalagem, mas que seja também capaz de construir nosso pequeno castelo enquanto sobra tanta falta.
Que toque sonho em uma flauta, que entenda que nossa sina é se ensinar e que enquanto respirar, se lembre de mim também. Que seja meu anjo mais velho, meu mérito e meu monstro. E que entenda que eu não sei na verdade quem eu sou. Tem hora que sou senhora (tem horas? que horas são?). Alguém que não faça, não vá e se desaprenda. E que se perca nas margens de mim.
Prefiro alguém que goste da entrega, da folia no quarto e que entenda o que se perde quando os olhos piscam. Que não seja Chico, mas queira tentar. Que não tenha a fé solúvel, mas que saiba que o tudo é uma coisa só. Que reconheça minha pressa e sua prece. Alguém que me dê um sorriso por ingresso. E que não falte assunto e nem acesso. No fundo, que saibamos calcular a tática e a estratégia. Porque, afinal, eu só quero alguém que me bagunce, tumultue tudo em mim. Que assimile, dissimule, afronte, apronte e carregue-me nos abraços. Alguém que enfim saiba quão mágico é todo esse teatro.