Ando cansada de suas
recusas e não consigo entender o que se passa em sua mente. Eu tive um sonho. E
nele, as coisas também aconteciam. Como você pensa. Como eu penso. Nele, nossa
imaginação ia além e nossos caminhos eram muito mais próximos. Não havia certo
ou errado. Suas dúvidas eram mínimas e não existia “não”. Você ao menos sabia
dizer o que sente.
O que você prefere não
assumir é que, na verdade, minhas respostas são suas dúvidas. Você não as entende
e recua sempre que iniciamos esse processo juntos. Você não me deixa explicar e
eu tenho desistido nessas tentativas vagas. Eu sei que você também tem muito
para falar, mas sua omissão às vezes me irrita. E eu nunca sei o que quer dizer
quando muda repentinamente de comportamento.
Fui embora com um
discurso entalado na garganta de novo. De novo não conseguir ler seus olhos. E
de novo você sorriu como se eu nunca tivesse passado em sua vida. De novo. Você
soltou meus dedos devagar me pedindo para ficar. Rima pobre, ritmo lento. Eu
ficaria se você soubesse ser um pouco mais veloz. Se soubesse falar um pouco
mais. Eu teria ficado se, ao invés de sorrir para mim, você tivesse me beijado.
Eu ficaria por você. Mas enquanto seu silêncio for sua melhor resposta, eu me
recuso a permanecer.
Agora eu sei que você
vai desaparecer por um tempo. Sumir das minhas vistas. Fingir que nada
acontece. Sei que vai sonhar com meu sorriso – e você sempre sonha – e acordar
se perguntando o que é isso que a gente vive.
Você já sabe me ler. Já
me desvenda. Entende perfeitamente o que quero e joga com isso. Esse teste
patético que você me obriga a viver sempre que a gente se encontra tem roubado
minhas energias e você não se cansa nunca. Você me confunde. Me sente. Mas
mesmo assim se recusa. É que você, no fundo, diz não para você mesmo e nem
sequer se dá conta disso. Eu sei, você sabe. Tudo isso, solto no ar, sem
complementos, fins, conversas ou qualquer coisa aleatória que traga definições
aliado às suas recusas representam um castigo que você mesmo criou. E acontece
que você vive isso sozinho.
Você já sabe o que eu
quero. Já sabe o que precisa fazer. Dê passos firmes que eu caminho com você.
Te deixo até pisar na areia da praia. Te garanto que a gente o mar não leva.
