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| Foto: We Heart It |
Nem café, nem chocolate, nem
cigarros, como você bem conhecia. Nesses últimos 438 dias – sim, eu contei – minha
única dose diária havia sido você. Mais nada, nem ninguém. Quando a gente perde
alguém na vida, é necessário dar um jeito. É um processo árduo como quando um
viciado tenta parar de fumar, mas vira-e-mexe têm algumas recaídas. Você é meu
ponto fraco. E só por isso, eu me alimentei de você todos esses dias.
Porque, meu amor, sua companhia
ainda me mantém de pé. É doloroso imaginar que pensar em você me impede de
seguir adiante, mas não pensar me propõe um futuro vazio e sem o brilho que eu
sempre encontrei no fundo dos seus olhos. Me entende? Abri mão de progredir na vida, porque andar em
direção ao futuro é perder você dos meus pensamentos e eu não quero isso.
Todos os dias eu prometo que
aquela será minha última dose. Mas nunca é. E, no momento, pretendo nunca
interromper meu alimento diário. Me perdoa se isso soa um tanto quanto metódico
ou doentio. Só queria que soubesse que é amor. Por amar demais, eu converso com
você mentalmente todos os dias. Por te amar demais, eu mantive todas as nossas
fotos espalhadas pela casa. Por te amar demais, eu como seu prato favorito
quase todos os fins de semana.
É amor quando te chamo mesmo
sabendo que não irá responder. É amor quando quero dormir mais e mais todos os
dias para poder te encontrar nos meus sonhos. É amor quando preparo o seu café
da manhã, mas você nunca vem comer comigo. É amor, meu bem. Me perdoa se parece
doença. Mas é que eu ando de mãos dadas com você todos os dias.
