Sobre a rotina e a escravidão

Foto: Pinterest
Escrevo esse texto em um dia que meu corpo não consegue entender que os planos mudaram. Escrevo porque não consigo fazer minha mente pensar em outra coisa a não ser no que eu deveria estar fazendo, mas não vou fazer mais. 

Antes que perguntem, eu considero meu trabalho ora como rotina, ora como completamente fora da rotina. O que quer dizer que minha vida também vive uma rotina praticamente perfeita: eu estudo, trabalho, tenho horários bem marcados na minha vida, tiro um tempo para fazer exercício físico, etc. E gosto muito disso. Eu consigo me planejar muito bem dentro dos meus horários quase fixos e agendar compromissos me permite uma maleabilidade incrível que eu tanto amo.

Mas hoje o meu dia amanheceu diferente. Depois de meses trabalhando para o dia de hoje chegar, os imprevistos vieram e a rotina mudou da noite para o dia. Acordei com aquela sensação vazia de "meu Deus, o que é que eu vou fazer agora?". A resposta? Eu ainda não sei. Eu que tanto amo planejar meus dias e que tanto gosto de sair da rotina às vezes me encontro sentada aqui completamente desolada por não ter o que fazer. 

Sentei para falar de rotina e escravidão, porque são quando essas situações acontecem que percebo como somos reféns dos nossos dias, horários e compromissos pré-estabelecidos. Perdemos o hábito de lidar com imprevistos. De mudar o foco. De fazer outra coisa. Sentei e usei a palavra escravidão, porque acordei me sentindo escrava dos horários que impus à mim mesma. Acordei me sentindo escrava da minha falta de criatividade capaz de inventar outra coisa para fazer agora. 

Perdemos completamente o hábito de fazer outras coisas. E deixo aqui essa reflexão. Como anda a sua rotina? O que você tem feito para que não se sinta escravo dos horários marcados na agenda? Por agora, prometi para mim mesma levantar dessa cadeira e procurar algo produtivo para fazer.