Naquele vento frio que batia lá fora, tudo que ela conseguia
sentir era sua espinha dorsal se arrepiando lentamente. As lembranças de ontem
ainda eram vivas e, para tanto, ela ainda se sentia zonza. Nada que tivesse
sido errado ou contra sua vontade. Havia sido mágico, único e ela, de fato,
precisaria de uma boa noite de sono agora. Finalmente sozinha, ela percebia que
acorrentar dois corações requer muito mais esforço do que simplesmente
entrelaçar dois corpos e que, acima de tudo, era também muito mais
recompensador.
Reviver as lembranças como se estivessem acontecendo em
tempo real era algo que ela conseguia sem esforço nenhum. Até porque, elas
faziam parte de um pequeno grupo de situações que provavelmente ela jamais
esqueceria. Se fechasse os olhos, tudo voltaria à tona. Era simples. Ligar uma
música já era capaz de fazer esses momentos se tornarem eternamente únicos.
Porque agora, eles já eram eternos.
Diante de todas aquelas promessas e pensamentos e
nitidamente perdida, ela se levantou e em passos lentos caminhou até a porta,
certa de que iria atrás da pessoa responsável por todos aqueles sorrisos. Sem
arrependimentos ou receios. Iria atrás do amor, sem nem sequer olhar para trás.
