Sobre tudo que transcorre sob auxílio do destino



Se fosse para falar, eu preferiria calar. E se for pra insistir em mais um erro, eu preferiria nem ter começado. Inútil mesmo é saber que tudo vai chegar ao fim e ainda assim continuar agindo como se fosse eterno. Aprendizagem é perceber tudo isso e realmente tentar fazer ser eterno. Porque querendo ou não, é. Mergulhar de cabeça dói muito mais do que só molhar os pés. Mas em compensação, sentir a alma sendo lavada é muito mais gratificante do que só sentir as pontas dos dedos.

Porque tudo sempre passa e se não passou, ainda vai passar. E acreditar no fim, ainda no começo é como infelizmente se segurar diante de toda uma história. Palavras sem nexo, eu hei de concordar. Mas aceitar que se é feliz mesmo sabendo da condição do não-eterno é como lá no fundo dizer que o amadurecimento vem.

Sem pressa, sem medo e sem receios. Tudo que vem, um dia tem que ir. E isso já deixou de ser mistério. Mistério é aceitar a condição errônea do pra sempre, sem ao menos ter a oportunidade de senti-lo. Mistério é perceber que não se pode tentar entender - algumas coisas sempre acontecem simplesmente porque tem que ser assim. A triste lucidez só destrói. Ela não retém e pelo contrário, só repele. A lucidez amorosa (ah, como eu queria vivê-la!) é a chave de quase tudo nessa vida. Saber que se tem um fim e ainda assim arriscar viver. Afinal, se não for assim, quem viverá por nós?