E já vinha você com aquela sua música para
me fazer derreter. Não sei por que segurou a minha mão. Me fez entrar no
compasso, recitou algumas notas, disse meia dúzia de palavras agradáveis e
pronto: Havia conquistado toda a harmonia de uma orquestra. Você desconsiderava
o meu balanço. Me obrigava a dançar do seu jeito e nem me deixava descobrir,
afinal, quem era aquele cantor. Aposto que tinha uma coletânea com tais canções.
Deixava-as no ar, puxava uma a uma, aproveitava três minutos de dança e se não conseguisse
nada, então você partiria para a próxima. Bela maneira de conquistar uma
mulher.
Sabe, eu nunca te disse, mas eu sempre admirei
esse seu jeito galanteador. E dei graças a Deus quando você descruzou o meu
caminho. Aquele aperto no peito (ou coração, como queira) não era natural, mas
eu o esquecia sempre que me lembrava das histórias que um dia me contaram sobre
você. Alguns minutos de dança não eram nada perto da vida que eu ainda queria
descobrir ao seu lado, mas eu sabia que eu não era a garota para ilustrar a
capa do seu CD. No máximo, uma participação especial na pior faixa do álbum.
Não te culpo, nem me culpo. Certos casais,
por maior que seja a harmonia, não foram feitos para estrelarem o mesmo
musical. E nem merecem mais que três minutos de dança. Vai. Chama a próxima garota
porque eu sei que ela sim merece mais que uma só dança ao seu lado. Procurarei
outro ritmo que não o seu, procurarei outra maneira de me movimentar que não seja
seguindo os passos de outra pessoa. Criarei meu próprio CD, farei das suas
palavras minha principal melodia e repetirei o ritual até encontrar alguém que
mereça muito mais meros passos de dança numa música qualquer.
