O seu nome não apareceu em uma
daquelas latinhas de refrigerante. Meu nome não é comum e eu tinha que repetir
duas ou três vezes sempre que você me apresentava para alguém. “Como se
pronuncia mesmo?” “É com D!”. Você ria do acaso, eu tentava ignorar o detalhe.
Nunca seremos um casal digno de propaganda de shopping no dia dos namorados - eles
não suportariam tamanha semelhança. Em compensação, nossa história avisou e
apareceu.
A gente até poderia merecer um
desses outdoors com o nosso sorriso estampado. Todo mundo fala que são perfeitos
e eu até que concordo. Mas optamos pelo silêncio. Gritar felicidade trouxe
problemas e a gente aprendeu a viver calado. Não que seja o ideal, mas é
excitante. Dá adrenalina pensar que o próximo encontro pode nunca existir, mas
dá mais felicidade ainda saber que ele existirá.
A tranqüilidade demorou, mas apareceu.
O dia começou a clarear e aquele arco-íris que eu tanto quis fotografar surgiu
bem naquele dia que a gente se perdeu em um desses centros enormes de qualquer
cidade grande. E eu me perdi em você. Acolhemos nós dois e sorrimos para todo o
resto. Semelhanças a parte, adoro nossas diferenças também. Levou tempo, mas a
gente se notou.
Não é nem questão de uma
combinação de nomes. Eu não tomo refrigerante e conseqüentemente não tenho
tempo para procurar seu nome em uma dessas latinhas. Não é uma questão de
combinação de sorrisos, porque eles notoriamente se encaixam. E nós bem sabemos
que são lindos mesmo. É uma questão de sintonia, de soma. Uma questão força,
coragem e de felicidade.
E não, não me cansarei de falar
de sorrisos, porque foram com eles que a gente descobriu como é simples ser
feliz. O meu se tornou conseqüência do seu e aparece toda vez que você canta
qualquer trechinho de música no pé do meu ouvido. O seu? Ah, o seu acaba com
qualquer tempestade. Ilumina o dia e me faz lembrar que eu não preciso
encontrar seu nome escrito por aí. Eu já o escrevi aqui. Em mim.